terça-feira, 6 de setembro de 2011

Pequena História da Bateria

É claro que não poderia deixar de comentar que esse post é muito especial pra mim! Quero aqui compartilhar um pouco do meu conhecimento adquirido ao longo de mais de uma década de estudo e envolvimento com o instrumento. Espero que sirva como fonte de pesquisa aos meus amigos dos tambores, e aos interessados, que assim como eu são apaixonados por esse instrumento!

O Princípio dos tambores

Estudos consideram que a voz é o nosso primeiro instrumento musical utilizado como forma de expressão. Podemos considerar que os instrumentos percussivos são os primeiros instrumentos criados pelos seres humanos, uma vez que, batendo seus bastões ou os próprios pés no chão, ou em pedras e madeiras, ou em seu próprio corpo, os homens da Antigüidade já marcavam o ritmo para as danças e cerimônias religiosas e até se comunicavam dessa maneira. Os primeiros tambores provavelmente consistiam em um pedaço de tronco de árvore oco (furado). Estes troncos eram cobertos nas bordas com a pele de algum réptil ou couro de peixe e eram percutidos com as mãos.
Os tambores mais antigos descobertos em escavações arqueológicas pertencem ao período Neolítico (10.000a.C. à 3.000a.C.). Um tambor encontrado numa escavação da Moravia (região da Europa central) foi datado de 6.000 anos antes de Cristo. Na Mesopotâmia foram encontrados pequenos tambores (tocados tanto verticalmente quanto horizontalmente) datados de 3.000 anos antes de Cristo. Tambores com peles esticadas foram descobertos dentre os artefatos Egípcios, de 4.000 anos antes de Cristo.

A diversidade de instrumentos percussivos é quase incontável: são bongôs, tímpanos, tamborins, pandeiros, congas, atabaques, timbas, entre a diversidade de tambores, temos também os instrumentos para efeito como: agogô, triângulo, Woodblocks, chocalhos, sinos, etc...

No começo dos anos 1900, bandas e orquestras tinham de dois a três percussionistas cada. Um tocava o bumbo, outro tocava a caixa e o outro tocava os blocos de madeira e fazia os efeitos sonoros. Mas com a invenção do pedal todas essas pessoas se tornaram desnecessárias.
O primeiro pedal prático foi inventado em 1910 por, Willian F. Ludwig*, que criou o primeiro modelo de madeira, e logo depois, com o aumento da procura, passou a desenvolver junto com seu cunhado, Robert Danly, o modelo do pedal em aço que foi vendido para milhares de bateristas e serviu de base para criação dos modelos mais avançados que temos hoje.

*A Ludwig é uma das marcas mais famosas de bateria até hoje! (http://www.ludwig-drums.com)

Outra invenção aparentemente simples que possibilitou o surgimento da bateria foi a estante para caixa. Antes, os bateristas usavam cadeiras para apoiá-las ou penduradas nos ombros, com uso de correias.
Uma vez que pedais e suportes para caixas práticos se tornaram disponíveis, uma única pessoa poderia executar o trabalho antes feito por três. E assim nasceu o baterista e a bateria ou “trap set” como foi chamada inicialmente.

O Nascimento do Jazz

O jazz está diretamente relacionado com o nascimento da bateria. A mistura da música branca, especialmente a marcial, e o Blues, forma musical de origem africana, levada para os EUA pelos negros no final do século passado, deu origem a um novo estilo musical, o “Jass”, grafia primitiva do atual Jazz. O berço dessa mistura foi o estado do Louisiana, em especial na cidade de New Orleans, que emprestou o seu nome a esse estilo. No início, o Jazz era tocado somente em funerais, mas por volta de 1910, o Jazz era música popular nos salões de dança da cidade. Os primeiros bateristas têm origem nas “Brass-Bands” (Banda de metais), e por isso apresentam como característica principal uma maneira marcial e rudimentar de tocar.

Antes a bateria surgiu pela simples junção de caixa e bumbo, mas hoje em dia já contamos com infinitos tontons, surdos, pratos, cowbells, temple-blocks, gongos e etc.
Em evolução constante, a bateria recebe cada vez mais atenção de fábricas e engenheiros, que pesquisam junto aos bateristas para desenvolver o melhor modelo de cascos, baquetas, ferragens e pratos. As inúmeras fábricas crescem a cada dia no Brasil e no mundo.


Constituição Atual da Bateria

Não existe um padrão exato sobre como deve ser montado o conjunto dos elementos de uma bateria, sendo que, o estilo musical é por muitos, indicado como uma das maiores influências perante o baterista no que respeita à disposição dos elementos, considerando a preferência pessoal do músico ou as suas condições financeiras ou logísticas.
A adição de tom-tons, vários pratos, pandeirolas, gongos, blocos de madeira, canecas, (pads) eletrônicos ligadas a samplers, ou qualquer outro acessório de percussão (ou não!*) podem também fazer parte de algumas baterias, de forma a serem produzidos diversos sons que se encontrem mais de acordo com o gosto pessoal dos músicos.
*Isso mesmo, e como diria Hermeto Paschoal, é possível se fazer música com tudo e hoje em dia é possível vermos por aí qualquer tipo de material como galões de água, latas de tinta e até pedaços de eletro-domésticos, sendo utilizados para a música!

Alguns bateristas, tais como Neil Peart, Mike Portnoy ou Terry Bozzio, elaboraram conjuntos de bateria fora do normal, utilizando-se de diversos elementos, tais como roton-tons, gongos ou tom-tons afinados em correspondência com notas musicais, possibilitando ao baterista, para além da execução rítmica, contribuir melodicamente para a música. A década de 80 foi prolífica no surgimento destes conjuntos fora do normal, apreciados pelos amantes da bateria, um pouco por todo o mundo.
O aparecimento de novas técnicas e maneiras de encarar o instrumento, permite com que ele continue em evolução e exija cada vez mais dedicação por parte de seus praticantes.

Grandes Bateristas

Agora pra vocês alguns grandes nomes da bateria, é claro que vão ficar muitos de fora, mas quem quiser é só enriquecer os posts e trazer a tona para a lembrança de todos através de seus comentários.

Louis Cotrele, Tony “Spargo” Sbarbaro (Gravou o primeiro disco de Jazz da história), Zutty Singleton, Paul Barbarian, Warren “Baby” Dodds (Um dos mais importantes da época. Passou vários anos tocando nas viagens de barco do rio Mississipi. Foi o primeiro a fazer breaks e solos e o primeiro que começou a conduzir nos pratos), Ray Bauduc, William “Chick” Webb, Sonny Greer, Gene Krupa, Dave Tough, George Wettling, Cozy Cole, Sid Catlett “Big Sid”, Jonathan “Jo” Jones, Buddy Rich, Kenny “Klock” Clarke, Max Roach, Art Blakey, Roy Haynes, “Philly” Joe Jones, Louis Belson, Shelly Manne, Arthur Taylor, Jimmy Coob, Frank Isola, Joe Morello, Alan Dawson, Ed Thigpen, Elvin Jones, Grady Tate, Tony Williams, Billie Higgins, Jack deJohnette, Paul Motion, Louis Hayes, Ed Blackwell... E por aí vai! Ufa! Esses são bateristas mais antigos, não quis chegar até a atualidade.
Valeu! Até o próximo!