sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Música Espanhola

Com a música espanhola cobrindo tantas regiões, séculos e grupos étnicos, os amantes de música tradicional e moderna têm a garantia de encontrar algo para seus gostos. Alguns tipos de música espanhola são:
Pop Espanhol - Assim como música pop de outras regiões do mundo, pop espanhol combinou os gostos de toda uma região que atrai – particularmente as novas gerações.
Ye Ye - Um tipo de pop espanhol, esse termo de música espanhola é conhecido pela fusão do pop francês e americano com a vibração tradicional espanhola. Com rítmo flamenco e um sentimento apaixonante pesado, este tipo de música ironicamente carrega mais o sentimento espanhol do que os outros pop sons.
Jota - Com raízes no Aragão, jota é popular através da Espanha e carrega um som de percussão parecido com o do norte da África. Para aqueles que gostam de complexidade instrumental, jota é uma boa escolha. Utilizando castanholas, tamborins e flautas, jota definitivamente tem um toque que não se encontra em nenhum outro lugar do mundo.
Bolero - Música popular na Espanha e nos países latino-americanos, onde sofreu a influência da música africana particularmente andaluza, conhecida desde finais do séc. XVIII. Maurice Ravel, mundialmente conhecido pelo seu Bolero, ainda hoje a obra musical francesa mais tocada no mundo. A composição foi encomendada pela bailarina Ida Rubistein e estreou na Ópera de Paris em 1928.
Flamenco: O som espanhol mais reconhecido

O flamenco é uma das maiores expressões da cultura espanhola, a música chorosa, envolvente pede componentes essenciais para sua formação, roupas com cores muito vivas, guitarras e ritmo na ponta dos pés e da mão e corpos bailando num teatro musical.
O poeta Federico García Lorca descreveu a dança e a forma musical como a “mais gigantesca criação do povo espanhol”.
Geralmente as discussões sobre as origens do flamenco não chegam a lugar algum, como aconteceu com o mesmo Garcia Lorca, que descreveu o flamenco como uma mistura de muitas influências nas quais “a emoção da história e sua beleza, sem datas ou fatos, se escondem. Porém todos concordam que o flamenco é uma criação dos ciganos de Andalucia.
Muita da aura que cerca a música flamenca pode ser atribuída às atitudes românticas dos ciganos, um povo de origem misteriosa.
Os ciganos chegaram a Espanha em 1435, e são motivos de longas discussões sobre suas origem (Arábia, Egito, Índia, ou hindus?).
P.S.: Em 1499, Isabella e Ferdinand, assinaram o decreto ordenando aos ciganos que parassem com a vida nômade, e encontrasse um emprego estável ou, do contrário, teriam que sair do país. Finalmente em 1783, Carlos III fez uma séria tentativa de integrá-los à sociedade espanhola e quis inspirar mais tolerância entre eles. Além de também tê-los proibido de perambular, acusou os espanhóis de se recusarem a emprega-los e de proibi-los de terem acesso aos lugares públicos.
Posteriormente, os ciganos, adotaram o idioma espanhol, ao invés do romano, e estabeleceram colônias permanentes no subúrbio de Sevilha e Sacromonte, em Granada.
Assim como a salsa latina, é praticamente impossível separar a dança da música, as duas estão interligadas. Com fantasias elaboradas, a dança frequentemente toma a frente do palco, com a música servindo de um fundo dramático. Atualmente, existe mais de cinqüenta estilos- ou regras- de flamenco, cada uma utilizando suas próprias combinações únicas de batidas, letras e harmonias. Compreender cada um desses estilos pode ser desgante para a maioria de amantes da música, porque as diferenças são muitas vezes confusas. Entretanto, o estilo básico do flamenco é algo simples.
Conhecida como uma dança tradicional, flamenco foi rotineiramente apresentado pelos ciganos, embora agora seja realizado principalmente por profissionais e dançarinos de folclore regional.
No cenário informal, bailarinos e músicos se encontram em um ambiente espontâneo que recebe a todos que desejam aproveitar. O bater das palmas das mãos, violino e rítmos criados pelas caixas de laranja são muito comum nesse tipo de cenário. São o que promove a música espanhola com seu estilo energético e reconhecível. Cantores são também importantes nesse tipo de flamenco, e freqüentemente dão o tom de humor à platéia e outros participantes.
No cenário do concerto profissional, os artistas de flamenco atuam de uma forma mais formal e organizada. O violão é quase sempre o único instrumento, embora seja aceitável que às vezes outros instrumentos o acompanhe. Não importa quais tipos desses instrumentos estão envolvidos. No entanto, o violão sempre é o foco principal no som musical. Não é incomum que outros violões sejam utilizados como uma base para o desempenho do violão principal. Bailarinos não são o foco principal. Seguem apenas após o violão e os cantores são os últimos a entrar em cena. Este estilo formal é mais introvertido, mais tão passional como um primo informal, e oferece desafios aos que são mais interessados em aprimorar habilidade musical com complicados riffs de violão.
Há aproximadamente 30 variedades de flamenco. A forma mais autêntica é o "Duende". Esta é considerada a forma ideal do flamenco. O flamenco remonta ao século XVI. Foi desenvolvido pelos ciganos que cantavam e dançavam em torno de fogueiras. Cada canção tinha um profundo significado e tratava de temas de amor, história e política.
Os ciganos dizem que lhes está na corrente sanguínea. As letras trágicas e os tons da guitarra representam o seu passado sofrido.
Há festas e feiras espanholas ao longo de todo o ano. A maior parte destas "fiestas" incluem o flamenco como música principal. As mulheres espanholas e as miúdas pequenas vestem-se igualmente com roupas de flamenco tradicionais. Gostam de exibir os seus chamativos vestidos cheios de côr.
O flamenco é um estilo musical e um tipo de dança fortemente influenciado pela cultura cigana, mas que tem raízes mais profundas na cultura musical mourisca, influência de árabes e judeus. A cultura do flamenco é associada principalmente a Andaluzia na Espanha, e tornou-se um dos ícones da música espanhola e até mesmo da cultura espanhola em geral.
O "novo flamenco" é uma variação recente do flamenco que sofreu influências da música moderna, como a rumba, a salsa, o pop, o rock e o jazz.
Originalmente, o flamenco consistia apenas de canto (cante) sem acompanhamento. Depois começou a ser acompanhado por guitarra (toque), palmas, sapateado e dança (baile). O “toque” e o “baile” podem também ser utilizados sem o “cante”, embora o canto permaneça no coração da tradição do flamenco. Mais recentemente outros instrumentos como o “cajon” (uma caixa de madeira usada como percussão) e as castanholas foram também introduzidos.
Muitos dos detalhes do desenvolvimento do flamenco foram perdidos na história da Espanha e existem várias razões para essa falta de evidências históricas:
Os tempos turbulentos dos povos envolvidos na cultura do flamenco. Os mouros, os ciganos e os judeus foram todos perseguidos e expulsos pela inquisição espanhola em diversos tempos durante a “Reconquista”.
Os ciganos possuíam principalmente uma cultura oral. As suas músicas eram passadas às novas gerações através de actuações em comunidade .
O flamenco não foi considerado uma forma arte sobre a qual valesse a pena escrever durante muito tempo. Durante a sua existência, o flamenco esteve dentro e fora de moda por diversas vezes.
Granada, o último reduto dos mouros, caiu em 1492, quando os exércitos de Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela (os reis católicos) reconquistaram esta cidade após cerca de 800 anos de domínio muçulmano. O Tratado de Granada foi criado para assegurar as bases da tolerância religiosa, conseguindo com isso que os muçulmanos se rendessem pacificamente. Durante alguns anos existiu uma tensa calma em Granada e à sua volta, no entanto, à inquisição não lhe agradava a tolerância religiosa relativamente aos judeus e aos muçulmanos e conseguiu convencer Fernando e Isabel a quebrarem o tratado e a forçar os judeus e os mouros a converterem-se a cristianismo ou deixarem a Espanha de vez. Em 1499, cerca de 50.000 mouros foram coagidos a tomar parte de um baptismo em massa. Durante a rebelião que se seguiu, as pessoas que recusaram baptizar-se ou serem deportadas para África, foram pura e simplesmente eliminadas. Como consequência desta situação, assistiu-se à fuga de mouros, ciganos e judeus para as montanhas e regiões rurais.
Foi nesta situação social e economicamente difícil que as culturas musicais de judeus, ciganos e mouros começaram a fundir-se no que se tornaria a forma básica do flamenco: O estilo de cantar dos mouros, que expressava a sua vida difícil na Andaluzia, as diferentes “compas” (estilos rítmicos), palmas ritmadas e movimentos de dança básicos. Muitas das músicas flamencas aindas reflectem o espírito desesperado, a luta, a esperança, o orgulho e as festas nocturnas durante essa época. Música mais recente de outras regiões de Espanha, influenciaram e foram influenciadas pelo estilo tradicional do flamenco.
A primeira vez que o flamenco foi mencionado na literatura, remonta a 1774 no livro “Cartas marruecas” de José Cadalso. No entanto a origem do termo “flamenco” continua a ser assunto bastante debatido. Muitos pensam que se trata de um termo espanhol que originalmente significava flamengo (“flamende”). Contudo, existem outras teorias. Uma das quais, sugere que a palavra tem origem árabe, retirada das palavras “felag mengu” (que significa algo como “camponês de passagem” ou fugitivo camponês”)
Durante a chamada época de ouro do flamenco, entre 1869 e 1910, o flamenco desenvolveu-se rapidamente nos chamados “cafés cantantes”. Os dançarinos de flamenco também se tornaram numa das maiores atracções para o público desses cafés. Ao mesmo tempo, os guitarristas que suportavam esses dançarinos, foram ganhando reputação e dessa forma, nasceu, como uma arte própria, a guitarra do flamenco. Julián Arcas foi um dos primeiros compositores a escrever música flamenca especialmente para a guitarra.
A guitarra flamenca,e a muito parecida guitarra clássica, é descendente do alaúde. Pensa-se que as primeiras guitarras terão aparecido em Espanha no século XV. A guitarra de flamenco tradicional é feita de madeira de cipreste e abeto, é mais leve e um pouco menor que a guitarra clássica, com o objectivo de produzir um som mais agudo.
Em 1922, um dos maiores escritores espanhóis, Federico García Lorca e o compositor de renome Manuel de Falla organizaram a “Fiesta del cante jondo”, um festival de música folclórica dedicada ao “cante jondo”. Fizeram-no a fim de estimular o interesse no flamenco que nessa altura estava fora de moda. Dois dos mais importantes poemas de Lorca, “Poema del cante jondo” e Romancero gitano”, mostram a fascinação que este tinha pelo flamenco.

Influência da Música Árabe na música da Espanha e no continente europeu:

Em julho de 710 D.C., uma força do exército Islâmico, vinda do norte da África, invadiu a Espanha, dando origem à Civilização Moura, que perdurou por oito séculos (710 -1492 D.C). Importar a cultura oriental era um fator necessário para enraizar a presença árabe na Espanha. Foi o que fez um dos primeiros príncipes invasores, Abd-EI-Rahman 1, ao assumir a Espanha no ano 755 D.C. A invenção do 'Muachah" (temas longos de melodia com versos) impulsionou uma formidável fusão entre as duas literaturas onde poesia e música cumpriram o romântico papel de atrair as duas raças a se mesclarem. Enquanto isso, no Oriente, Bagdá passou a ser a nova capital. A música árabe atingia lá o seu auge, o seu ciclo de ouro. Muitos músicos executavam suas peças nas cortes e palácios dos califas e quase todas as pessoas importantes tinham uma cantora permanente em suas casas. O estudo de música era obrigatório aos homens eruditos e o músico era conceituado como alguém de ampla cultura. Ziryab, discípulo do Ishaq-al-Mawsili (músico da corte do Califa Harun el-Rachid ), foi obrigado pelo próprio mestre a abandonar Bagdá com medo de tomar- lhe o cargo. Esse superou em fama o seu instrutor e viajou para Espanha em 821 D.C., onde o príncipe Abdal-Rahrnan II fez questão de convidá-lo para ser o musico da corte. Ninguém antes dele recebeu tão generosa recepção e fartos salários. Foi Ziryab quem adicionou a 5ª corda ao alaúde e introduziu novos métodos a educação musical. Fundou, em Córdoba, a primeira escola musical; criou o canto em grupo orquestrado e criou o grande Instituto de Musica Andaluz e varias escolas em diversas cidades, tais como Granada, Servilha e tantas outras. Do alaúde, Ziryab se inspirou para inventar a guitarra espanhola (Kisarah), ou violão de seis cordas e fez surgir da musica um novo estilo mais refinado que seria a música clássica árabe - ocidental (música espanhola). Seus oito filhos e duas filhas seguiram seus passos e todos tornaram-se famosos. Ziryab morreu em 852 D.C. deixando mais de 10.000 composições e vários institutos fundados que impulsionaram a música árabe, fazendo com que um novo ciclo de música moderna invadisse a Espanha, Portugal, Itália, Alemanha, França e grande parte da Europa. A presença do alaúde na música medieval e a expansão da orquestra são provas que a história confirma. Arthur P. Moore, certa vez, disse: "Nenhuma outra música conseguiu influenciar a Europa como a árabe". A Europa deve muito à musica árabe e, em especial, a Ziryab. Considerado como o fundador de música espanhola, ele trabalhou arduamente para fixar os princípios de musica árabe na mente européia. Instrumentos de influencia na música européia antiga e atual, tais como a guitarra portuguesa, a Rabeca, o Bandolim e tantos outros, têm sua origem árabe no mais completo instrumento de cordas - o violão. Muitos, porém, acreditam que o piano foi inspirado por uma das invenções de Ziryab! O renomado professor da universidade de Berlim, Dr. Kurt Zakhs, afirma que a maior parte dos instrumentos europeus é de origem oriental e que penetrou na Europa por várias formas. Certamente a supremacia de uma cultura sobre outra está no poder de ela resistir ao tempo. Outrossim, para que uma cultura seja aceita por uma outra, é preciso que ela tenha um solo fértil. Hoje, mesmo apos 12 séculos de entrada da música árabe no solo ocidental, ao compararmos a música espanhola, portuguesa e brasileira à árabe, podemos constatar fortes e nítidas semelhanças – o “Flamenco”, o “Fado" e o “Chorinho" são traços atuais e heranças marcantes que perderam a noção do tempo e se perderam num solo extremamente fértil. É a prova de que a música é ainda um dos pilares mais sólidos de qualquer cultura.
A tourada é uma paixão nacional e para os espanhóis uma forma de arte. As touradas começam com uma procissão de bandarilheiros, picadores a cavalo e matadores. Primeiro o matador movimenta sua capa para incentivar o touro a atacar, o picador a cavalo ataca o pescoço e a área dos ombros do touro; então os banderilheiros atiram dardos nas costas do touro. Depois de muito movimento com a capa o matador mata o touro com uma espada: e recebe as orelhas ou o rabo, como prêmio.
As lutas são geralmente as cinco da tarde nos domingos, de abril ao início de novembro.
Mas durante as festas populares em algumas cidades como Madri, Pamplona, Sevilha e Valência podem acontecer todos os dias.

Um comentário:

  1. Amei! Parabéns! Continue publicando. Rebeca Dias Rio Branco-AC

    ResponderExcluir