segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Música Indiana


Música Indiana

Minha paixão pela música indiana começou aqui em Curitiba mesmo, com duas criaturas muito especiais e que fazem parte da minha vida graças a Deus! Minha primeira paixão e primeiro contato com essa cultura maravilhosa, foi com a banda Shakti!
Namastê!

A cultura indiana é muito rica e diversificada. É uma cultura milenar que recebeu, com o passar dos séculos, várias influências orientais e ocidentais. Representa uma das civilizações mais antigas da história.
A música tradicional indiana é resultado da fusão musical dos diversos grupos étnicos e linguísticos da região. As letras seguem um caráter emotivo e descritivo. Um dos instrumentos musicais mais utilizados na musica tradicional indiana é a tambura (instrumento de cordas).
A tradição da música indiana está em contínuo desenvolvimento há milênios e seu sistema, na forma como é conhecido hoje, é fruto herdado de uma tradição inquebrantável baseada no guru shishya parampara, relação guru (mestre) – discípulo.
A primeira referência literária precisa sobre a música na Índia foi feita por Panini (500 A.C) e a primeira referência à teoria musical é encontrada no Rikpratisakhya (400 A.C), mas a organização da música indiana deve sua origem ao Samaveda, uma das quatro partes dos Vedas. Outra obra muito importante é o Natya Shastra (Dramaturgia em sânscrito), atribuída a Bharata e escrita no período Gupta (séc. IV D.C), considerada a era de ouro no desenvolvimento da ciência musical na Índia.
O aspecto devocional deve ser compreendido como um ponto fundamental na compreensão da música indiana, na medida em que se desenvolveu a partir do canto ritualístico, conserva até os dias de hoje as qualidades espirituais e ritualísticas como elementos nucleares da sua constituição original.
Após um longo período de desenvolvimento, a música indiana, associando seu aspecto devocional original à música folclórica e outras expressões musicais da Índia e culturas vizinhas como a da Pérsia, desenvolveu-se como uma arte muito peculiar e própria, dando origem às duas grandes tradições de música, a hindustani sangita (Música Indiana do Norte) e a karnataka sangita (Carnática - Música Indiana do Sul). As raízes de ambas as tradições estão no Bharata Natya Shastra (séc. IV D.C), e as divergências surgem somente por volta do séc. XIV D.C.
As duas principais grandes tradições musicais, tanto a Hindustani quanto a Carnática apresentam a característica monofônica da música indiana, isto é, as melodias são executadas sempre em um só tom, o que produz um efeito mântrico e profundo, próprio da música indiana. Uma das diferenças consiste em que na música Hindustani do norte, dá-se mais ênfase a improvisação do que na música Carnática, que se baseia em padrões mais rígidos. A música Carnática, que nunca absorveu influência estrangeira, é sempre orientada por versos devocionais e o estilo vocal é predominante, enquanto que a música Hindustani foi muito influenciada pelo povo persa e seu estilo dá mais abertura à música instrumental, embora, a música indiana em sua totalidade seja orientada pela música vocal, que tem precedência sobre a música instrumental.

Raga e Tala

Os conceitos de Raga (lit. Cor em sânscrito) e Tala também constituem pontos fundamentais na ciência musical indiana. É sob o conceito de Raga que se desenvolve toda estrutura melódica, e sob o de Tala se desenvolve toda a estrutura rítmica.
O Tala, (literalmente, bater das palmas, em sânscrito) é uma estrutura rítmica baseada em um número predeterminado de batidas, e sua natureza é cíclica. Existem inúmeros Talas na música indiana de diferentes batidas e tempos. A literatura sânscrita descreve 120 Talas, Bharata (Natyashastra) teria isolado 32 espécies de Tala no canto de uma cotovia.
Acredita-se que existam aproximadamente 300 ragas, embora somente cerca de 40 ou 50 sejam executados com regularidade. Um Raga não deve conter somente os elementos melódicos precisos que caracterizam o Raga como também deve expressar o movimento e sentimento estético apropriado. Cada Raga tem uma linguagem própria para se expressar utilizando-se das notas certas, ornamentos apropriados, motivos melódicos e a intenção estética que caracteriza determinado Raga. A interpretação de um Raga vai muito além de um simples sentar-se diante de uma partitura a fim de executar mecanicamente o que está ali escrito. Um músico indiano nunca irá servir-se da música escrita durante uma apresentação, pois o Raga deve estar já incorporado pelo músico, que terá plena liberdade de improvisação dentro das estruturas pré-estabelecidas da peça a ser executada, dando, em cada execução uma nova vestimenta ao corpo nu do Raga.
São muitos anos de intensa prática musical que possibilitam o músico indiano executar com precisão um Raga. A tradição musical na Índia ainda é predominantemente hereditária. O conhecimento é passado de pai para filho e o filho de um músico provavelmente também será um músico e assim sucessivamente, embora os mestres de música consintam em transmitir seus conhecimentos a todos àqueles que tenha aceitado como discípulos, este, tornando-se assim, quase um membro da família do seu mestre. Os estudos e prática musical geralmente tem início já aos quatro anos de idade e a vida do estudante é marcada por muitas horas diárias de prática.
Gharana e Bani – As Escolas
Na música Hindustani do norte, existem inúmeras escolas (gharana, do sânscrito graha, lar, casa, família) de tradições musicais na Índia e cada uma delas é batizada normalmente pelo nome da família ou pelo nome da região onde o fundador habita ou habitou alguma vez, como a Imdadkhani Gharana, escola fundada por Imdad Khan ou Maihar Gharana, escola que se originou em Maihar ao norte da Índia.
As escolas Carnáticas do sul da Índia chamam-se Bani, palavra originada de Vani (voz), e não tem um papel pedagógico como as Gharanas do norte da Índia, que ditam como devem ser executados os ragas. Bani é um estilo de expressão musical mais individual, aperfeiçoada por um músico.
Sangita – Música e Dança
Dança, teatro e música vocal e instrumental constituem uma unidade dentro da representação artística na Índia englobada pelo termo sangita. As artes na Índia, particularmente a música, não têm uma função meramente de entretecimento, mas são uma forma de autoconhecimento e tidas até como um caminho espiritual. Os antigos rishis (sábios) da Índia já há muito tempo conheciam as qualidades profundas e terapêuticas da música. A voz humana, segundo considerada pelos Hindus da antiguidade, indica não só o caráter do homem, mas também expressa o que há de mais íntimo em seu espírito, sendo assim, o canto a arte primeira seguido da execução de instrumentos e em terceiro lugar a dança: as três artes performáticas que constituem o sangita, segundo os três mais antigos e principais tratados que versam sobre música e dança, o Natyashastra, o Abhinayadarpana e o Sangitaratnakara.

• Música Clássica Indiana
A evolução da Música Indiana começa com os Vedas. Esta literatura datada aos milhares de anos foi composta na forma de poesia e era cantada com ritmo. Essas melodias com o tempo integraram a vida inteira do ser humano desde o nascimento até a cremação e assim a música colocou o mito perto da criação e da natureza. Convivendo junto com a natureza o homem começou a aprender o efeito das notas nas estações do ano e isto o ajudou a transformar o trabalho em prazer, pois o canoeiro, o vaqueiro, o pastor, todos tem suas canções que pulsam no ritmo de seus trabalhos.

• VEDAS - As sementes da Melodia
Entre os quatro vedas, o Samveda é considerado o melhor, inclusive no Bhagavad-Gita, onde Krishna diz :"Vedanam Samvedosmi" "Nos Vedas eu sou Samveda". Os mantras do Rigveda se chamam Ritcha. Quando estes mantras são cantados sem melodia ainda são chamados Ritcha, mas quando são cantados com notas são chamados Sam. Sa significa Ritcha ou Mantra, e Am significa Alap. Mantras cantados com Alap chamam-se Sam.
Os sábios escreveram o Sam, pensando no objetivo da música. O Mahamuni Bharat retirou do o Rigveda a partitura ou as letras do Samveda, do Yajurveda retirou a expressão corporal e do Atharvaveda os extratos, e assim, escreveu o Natya Shastra (o tratado sobre música e teatro).

• Os Rágas
Milhares de anos atrás começou-se a desenvolver o conceito de Rágas. Através de profunda meditação e vivência com a natureza, percebeu-se que certo conjunto de notas deveriam ser invocadas a certas horas, e em certas estações. Esta correspondência é feita entre rágas e os períodos do dia (manhã, tarde e noite), e as estações do ano (primavera, verão etc.). Isto impulsiona a criatividade do músico na direção correta, pois lhe dá a consciência criativa necessária para todas as improvisações que são requisições fundamentais para a música indiana. Foi percebido também que a vibração de certas notas ou conjunto de notas e melodias provocam alterações nos chacras catalisando ou diminuindo suas funções. Estas alterações psicofísicas e energéticas modificam o estado de consciência do músico e do ouvinte.
A ciência moderna está chegando a conclusão de que, a maioria das doenças são psicossomáticas ou resultado de desequilíbrio de energias vitais que fluem dentro do corpo. Na antigüidade os sábios, sabendo o poder do som, usavam a música para restabelecer o equilíbrio energético.
A vibração das 22 artérias é representada por 22 shrutis, determinadas freqüências ou microtons, e os 12 principais shrutis representam doze notas. Cada um dos sons e combinação destes tem um certo efeito sobre a psique humana. Por exemplo, para todo tipo de expansão física e material são usadas os sampoorna rága (os arranjos de 7 notas), e para todo o tipo de redução, das doenças, comportamento violento, etc., são usados os shádava rága (os arranjos de 6 notas). Para um comerciante mal sucedido, serviria um rága diferente do que para um empresário, que queira expandir seus negócios; e para restabelecer o bom funcionamento dos rins não serviria o mesmo rága indicado para um tratamento de emagrecimento.
A música não só afeta aos seres vivos, mas altera o ambiente, o local, inclusive o clima. Existem rágas que tanto podem provocar o fogo, aparentemente trazendo-o do nada, como a chuva. E também mudar o comportamento de uma multidão violenta, para calma ou vice-versa. Na Índia, a música clássica também é utilizada para maiores obtenções na produção do leite de vaca, e para maiores colheitas, dando uma safra rica. Assim a música tem o poder de influenciar os três reinos e os cinco elementos.

• Religião e Música Indiana
O Hindu Dharma (hinduísmo) na Índia é conceituado como uma filosofia da vida que esta baseada numa teosofia muito profunda e holística. Esta filosofia trata de todos os aspectos da vida humana como espiritual, social, moral, cultural, econômica, intelectual, etc.. tendo como base o karma e reencarnação e como objetivo o nirvana. Não tendo dogmas, doutrinas e mandamentos, esta filosofia deu uma grande liberdade de pensamento que por sua vez deu origem a diversas interpretações espalhadas por toda Índia, na forma de religiões e seitas. A maioria dos indianos que são hindus aceitam os princípios e disciplina originária dos vedas. Os vedas têm uma afinidade muito forte com música, por isto estabeleceu uma relação também muito forte entre religião e música.
Até hoje a Música Clássica está seguindo as tradições filosóficas milenares que é dar a cada músico a liberdade de improvisações em cima da disciplina rígida dos rágas. Essa liberdade inspirou a formação de clãs (gharanas) cada um criando seu próprio estilo, e o dever do discípulo é levar adiante o estilo do clã.

• Música como lazer e divertimento
Música em principio é considerado como prece ou oração e alimento para alma. É um meio de atingir a consciência suprema. Mas nada impede a utilização deste meio para satisfazer os instintos a nível físico e serve para lazer e divertimento. Ao contrário do ocidente, a música popular e apreciada ouvindo, não em bailes e clubes de dança. A dança coletiva é reservada para festas religiosas e acontece nas ruas e praças nos ritmos de música folclórica. Nas apresentações de música clássica a sincronização entre músico e público provoca a tal concentração que todos perdem até a noção de tempo.

• Música - Dança - Teatro - Cinema
Conforme a definição tradicional a música engloba o quadro vocal, instrumental e a expressão corporal que pode ser traduzida como dança e teatro. A dança clássica e popular (folclórica) tem seu próprio espaço na cultura indiana. Geralmente estas peças estão baseadas na mitologia.
A indústria cinematográfica indiana que anualmente produz aproximadamente 800 filmes quantidade igual a Hollywood, também tem grande participação em promover a música. Geralmente todos os filmes tem em média 7 canções baseados na música semi-classica e popular.

• Estudo da Música
Existem escolas especializadas onde pode ser adquirido o ensinamento básico da música entre outras matérias. No nível universitário muitas universidades mantém os cursos de música. O curso de graduação geralmente dura quatro anos que da o titulo de bacharel e depois mais dois anos de estudo pode ser adquirido o titulo de mestrado. O tempo para obter o doutorado depende muito da competência de cada um.
Mas todos estes títulos e conhecimento teórico não garantem o sucesso na platéia como vocalista ou instrumentista. Para qual é necessário muita dedicação, prática e orientação e aprendizado com um competente guru.

• Modalidades
A música indiana está dividida nas seguintes modalidades:
- Clássica
- Semi-clássica
- Devocional
- Folclórica
- Popular

• Música Clássica Tradicional nos tempos atuais
A Música Tradicional Clássica Indiana possui um amplo espaço no cotidiano. A música popular ocidental não tem profunda penetração na Cultura Indiana. Como prova disso não existe nenhuma emissora, tanto de rádio como de televisão, que a transmita.
O que acontece na verdade, é uma fusão no sentido de adaptação instrumental, como exemplo: a guitarra, o sintetizador, o piano, etc.

Alguns Artistas Indianos:
* Shakti;
* Trilok Gurtu;
* Ravi Shankar;
* Alla Rakha Khan;
* Zakir Hussain;
* Ulhas Kashalkar;
* Shankar Mahadevan;

6 comentários:

  1. Trilok Gurtu es muito legal!!! es una inspiración para todos los percusionistas y esta cruzando las barreras de lo convencional como mezclar el jazz o música clásica con percusión hindú e instrumentos propios, muito legal! massa!!!

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  2. Mara!!!
    rsrs... Adorei, amo música!!
    Vamos divulgar bastante teu blog!!
    Haribol!!
    Mar.

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  3. Nossa, informações confidenciais!!
    Música transcende as barreiras da matéria!!
    Riquíssimo conteúdo, parabéns!!
    Aprendi coisas novas, valeu, bjs, mar!!

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  4. muito bom la musica clasica de la india, muito profundo, una sensación melancolica, belleza, inmensidad, muito legal!!!

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  5. Namaste. Shakti junta o ocidente a india do sul e do norte ! Eu tive o privilegio de receber o grupo quando ele veio pro Brasil ha uns 2 ou 3 anos. Eu conheço o zakir da india quando fui estudar por la entre 1993 e 99 !! Veja foto minha com Zakir na minha homepage www.tabla.mus.br , e conheça mais sobre meu trabalho com Tala e tabla no Brasil e no Mundo, ou veja no blog da escola de musica indiana Tabla garana brasil. Um abraçao

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