quarta-feira, 22 de julho de 2009

Música Japonesa



Na música japonesa confluem resquícios das diferentes culturas que, no passado remoto, deram origem à nação nipônica. Escavações em sítios arqueológicos pré-históricos revelam a existência de apitos de pedra e sinos de metal em certas áreas do arquipélago.Nos primeiros séculos da era cristã, a música japonesa tinha relação profunda com a religião. O período dos túmulos imperais estende-se do século III ao século VII, e entre os objetos neles achados encontram-se figuras de terracota representando músicos, dançarinos e instrumentos musicais. As descrições lendárias desse período, contidas nas crônicas Kojiki, do ano 712, e Nihongi, de 720, fazem referências a música, inclusive com uma classificação das canções. Há menções ao koto, uma espécie de harpa usada em cerimônias religiosas.
Desde épocas remotas e durante bastante tempo, o Japão sofreu influência da
música continental, particularmente da coreana, e numerosos músicos coreanos emigraram para o arquipélago. Após a introdução do budismo, no século VI, foram adotados o canto litúrgico e diversos instrumentos de origem continental, como címbalos e flautas.A música chinesa exportada durante o período Tang (618-906) tornou-se predominante no Japão. Em meados do século VIII já era possível identificar diversas formas musicais, classificadas de acordo com sua origem e significado social. Durante o período Heian (794-1185), as várias formas de música, importada ou autóctone, foram fixadas de tal maneira que permaneceram imutáveis até os tempos modernos.Nos séculos XII e XIII, a música budista foi reformada. Aos hinos escritos na língua vernácula incorporou-se o antigo bombai, que teve sua denominação mudada para shomyo. O drama nô, que surgiu e teve seu apogeu nos períodos Kamakura (1192-1333) e Muromachi (1338-1573), incorporou muitos tipos de música popular. Nessa época os monges zen-budistas itinerantes e os menestréis (Keike-biwa) desempenharam também importante papel no aperfeiçoamento musical.No período Tokugawa (1603-1867), o país sofreu forte influência ocidental, exercida por missionários portugueses e espanhóis, que introduziram hinos, litanias gregorianas e a música secular européia. Assim, a música folclórica e outros tipos de criação musical absorveram traços de formas melódicas e expressão musical do Ocidente. No entanto, a música ocidental só se impôs no país de modo decisivo e oficial na década de 1870, quando o governo aboliu o ensino da melodia e teoria musical japonesa e impôs a adoção da nomenclatura, notação, harmonia e melodia ocidentais. Após a fundação da Academia Imperial de Música de Tóquio (1878), os padrões musicais europeus difundiram-se rapidamente.Fundaram-se centenas de escolas de música e conjuntos instrumentais de tipo ocidental, bem como orquestras sinfônicas. Entre as mais famosas escolas destacam-se a Universidade Nacional de Artes e Música e a Escola de Música Toho Gakuen, ambas em Tóquio. Em meados do século XX a maioria das cidades japonesas maiores possuía uma ou mais orquestras sinfônicas. Posteriormente, porém, os compositores perceberam a importância da música tradicional e passaram a compor novas peças para instrumentos japoneses, em busca de uma nova síntese.A música nacional tradicional subsiste somente para o deleite de círculos muito fechados. A música budista, por exemplo, floresce na tradicional escola Tendai, em Quioto; as diversas seitas budistas possuem suas próprias tradições musicais. Na música xintoísta numerosos elementos folclóricos sobreviveram e fundiram-se com melodias budistas originais.Notação
Existem três diferentes sistemas de
notação na música japonesa tradicional: a tablatura, as designações de diapasão e as neumas. A tablatura é empregada para alaúde (biwa) e cítaras (koto, wagon); e as notações de flauta, hichiriki (espécie de oboé) e harmônica de boca indicam o diapasão exato mas usam uma nomenclatura diferente e diferentes símbolos para cada instrumento. A música vocal é escrita em neumas floreados derivados dos neumas shomyo importados da China pelo monge budista Jikaku Daishi e depois simplificados para se adaptarem às canções de corte e ao recitativo nô. A restauração Meiji (1868) estimulou a tendência a substituir as notações clássicas pelo inadequado sistema de notação ocidental.Instrumentos
Guizos, badalos e outros instrumentos de percussão pertencem às origens da música
japonesa. Outros instrumentos dessa categoria são o bangi, dois pedaços retangulares de madeira, o shakubyoshi, quase do mesmo formato, além de sinos, tambores e gongos. Os címbalos são reservados às cerimônias funerárias budistas. Dos instrumentos de sopro, geralmente feitos de pedra, concha, barro, madeira, bambu, laca e marfim, os mais típicos são o shakuhachi (flauta de bambu), o hichiriki de bambu, o sho (harmônica de boca) e as flautas de bambu transversais. A maioria dos instrumentos de corda é tocada com palheta; os mais conhecidos são o gaku-biwa (alaúde de quatro cordas) e o samisen, usado pelas gueixas. O kokyu é um dos raros instrumentos executados com arco. Dos diversos tipos de cítaras de cavaletes móveis, cabe mencionar o wagon (seis cordas), tocado apenas com os dedos, e o koto, de 13 cordas, muito popular, executado com palhetas presas aos dedos.

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